Contra a rigidez e o conformismo

Por Michele Müller

“Eu me contradigo? Pois bem, então me contradigo. Sou amplo, contenho múltiplas dimensões”, escreveu Walt Whitman em um de seus mais aclamados poemas. Virgínia Woolf também nos coloca em confronto com as grades erguidas pe
lo pensamento rígido e pela nossa interpretação das expectativas alheias.

No ensaio “Montaigne” (de 1924, encontrado em O Sol e o Peixe), em que discorre sobre o pensador francês, ela lembra que a contradição é a condição básica do pensamento livre e da escrita autêntica.

“Deixemos ir embora a fama, as honrarias e todos os cargos que nos deixam em obrigação para com os outros. Deixemo-nos fervilhar sobre nosso incalculável caldeirão a nossa enfeitiçadora confusão, nossa miscelânea de impulsos, nosso perpétuo milagre – pois a alma vomita maravilhas a cada segundo.
Movimento e mudança são a essência do nosso ser; a rigidez é a morte; o conformismo é a morte: vamos dizer o que nos vem à cabeça, vamos repetir, nos contradizer, deitar fora o mais insensato dos absurdos e seguir as mais fantásticas fantasias sem nos importarmos com o que o mundo faz ou pensa ou diz. Pois nada importa a não ser a vida e, naturalmente, a ordem”.

Leia também: A fragilidade das certezas 

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