A beleza em cada instante 

Por Michele Müller

Florence Harrison, para “Early Poems of William Morris”

Quando a passagem do tempo se faz perceber de forma nítida – o filho que cresce, a morte, as perdas, as marcas, as lembranças – entendemos que a beleza é feita de instantes.

Na observação atenta a esses instantes, que muitas vezes nos escapam assim que lhes deitamos o olhar, nos rendemos aos fascínios deste mundo. Praticamos o que poeta e filósofo britânico David Whyte define como uma forma silenciosa e profunda de gratidão:

“Enxergar a essencialidade miraculosa da cor azul é ser grato sem a necessidade de encontrar palavras para agradecer. Enxergar toda a beleza existente no rosto de um filho é sentir-se plenamente grato sem necessitar de uma divindade para isso.

Sentar entre amigos e estranhos, escutar vozes e opiniões, perceber a vida existente por baixo da superfície, habitar muitos mundos de uma só vez, ser alguém entre outros alguéns e poder conversar sem precisar dizer uma palavra são formas de aprofundar nosso senso de presença e, dessa forma, o reconhecimento de que tudo o que acontece nos envolve e ao mesmo tempo não depende de nós; somos ao mesmo tempo testemunhas e participantes.

A gratidão encontra sua plenitude na generosidade da presença, tanto por meio da participação como da observação”

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