A beleza em cada instante 

Por Michele Müller

Florence Harrison, para “Early Poems of William Morris”

Quando a passagem do tempo se faz perceber de forma nítida – o filho que cresce, a morte, as perdas, as marcas, as lembranças – entendemos que a beleza é feita de instantes.

Na observação atenta a esses instantes, que muitas vezes nos escapam assim que lhes deitamos o olhar, nos rendemos aos fascínios deste mundo. Praticamos o que poeta e filósofo britânico David Whyte define como uma forma silenciosa e profunda de gratidão:

“Enxergar a essencialidade miraculosa da cor azul é ser grato sem a necessidade de encontrar palavras para agradecer. Enxergar toda a beleza existente no rosto de um filho é sentir-se plenamente grato sem necessitar de uma divindade para isso.

Sentar entre amigos e estranhos, escutar vozes e opiniões, perceber a vida existente por baixo da superfície, habitar muitos mundos de uma só vez, ser alguém entre outros alguéns e poder conversar sem precisar dizer uma palavra são formas de aprofundar nosso senso de presença e, dessa forma, o reconhecimento de que tudo o que acontece nos envolve e ao mesmo tempo não depende de nós; somos ao mesmo tempo testemunhas e participantes.

A gratidão encontra sua plenitude na generosidade da presença, tanto por meio da participação como da observação”

Leia também:

Beleza aprende-se a enxergar.

Michele Müller

21 maio 2018

Questões complexas apresentam muitas verdades, às vezes contraditórias

“Parece haver uma espécie de acordo entre os cientistas. Enquanto usarem meios e métodos estatísticos, suas informações são consideradas científicas”, observa o filósofo e psicanalista alemão Erich Fromm

Michele Müller

27 setembro 2017

Contra a rigidez e o conformismo

“Eu me contradigo? Pois bem, então me contradigo. Sou amplo, contenho múltiplas dimensões”, escreveu Walt Whitman em um de seus mais aclamados poemas. Virgínia Woolf também nos coloca

Powered by tnbstudio