A beleza em cada instante 

Por Michele Müller

Florence Harrison, para “Early Poems of William Morris”

Quando a passagem do tempo se faz perceber de forma nítida – o filho que cresce, a morte, as perdas, as marcas, as lembranças – entendemos que a beleza é feita de instantes.

Na observação atenta a esses instantes, que muitas vezes nos escapam assim que lhes deitamos o olhar, nos rendemos aos fascínios deste mundo. Praticamos o que poeta e filósofo britânico David Whyte define como uma forma silenciosa e profunda de gratidão:

“Enxergar a essencialidade miraculosa da cor azul é ser grato sem a necessidade de encontrar palavras para agradecer. Enxergar toda a beleza existente no rosto de um filho é sentir-se plenamente grato sem necessitar de uma divindade para isso.

Sentar entre amigos e estranhos, escutar vozes e opiniões, perceber a vida existente por baixo da superfície, habitar muitos mundos de uma só vez, ser alguém entre outros alguéns e poder conversar sem precisar dizer uma palavra são formas de aprofundar nosso senso de presença e, dessa forma, o reconhecimento de que tudo o que acontece nos envolve e ao mesmo tempo não depende de nós; somos ao mesmo tempo testemunhas e participantes.

A gratidão encontra sua plenitude na generosidade da presença, tanto por meio da participação como da observação”

Leia também:

Beleza aprende-se a enxergar.

Michele Müller

4 outubro 2017

Isaac Asimov critica a aprendizagem forçada

Não existe, em algum laboratório, um cérebro-modelo com o qual os outros devam ser comparados para serem considerados normais. Esse princípio, defendido pelo psicólogo e escritor Thomas Armstrong,

Michele Müller

21 maio 2018

Questões complexas apresentam muitas verdades, às vezes contraditórias

“Parece haver uma espécie de acordo entre os cientistas. Enquanto usarem meios e métodos estatísticos, suas informações são consideradas científicas”, observa o filósofo e psicanalista alemão Erich Fromm

Powered by tnbstudio