Sobre a beleza das palavras

Por Michele Müller

“A cada dia sou surpreendido por alguma palavra”, confessou Oliver Sacks ao seu companheiro Bill Hayes, autor de The Insomniac City: New York, Oliver and Me – um livro de memórias repleto de pensamentos formulados em conversas entre os dois. Esse deslumbramento pelas palavras se reflete na forma surpreendente e criativa como a mais despretenciosa reflexão é elaborada, revelando singularidades da mente fascinante do neurocientista e escritor.

Oliver Sacks em café e caneta, por Marco Jacobsen

Não é preciso dissecar uma palavra até chegar às suas raizes etimológicas ou históricas para se encantar com o potencial impacto que ela carrega. No caso de Sacks, uma de suas palavras preferidas está presente no discurso de qualquer criança e esconde, em sua simplicidade e frequência, o poder de revelar a complexidade de uma ideia e a virtude da flexibilidade do pensamento.

 

“O Oliver com frequência dizia que “mas” era sua palavra preferida, uma espécie etimológica de virada da moeda, uma vez que ela permite consideração de ambos lados de um argumento, de um tópico, bem como um tipo de olhar-pelo-lado-bom, que era parte de sua natureza, assim como era seu jeito indeciso e hesitante”. Bill Hayes

 

Leia também:

Escreve-se não para explicar, mas para entender

A fragilidade das certezas

Beleza a gente aprende a enxergar

Michele Müller

29 dezembro 2018

Como a mente se protege de sentimentos incômodos

Para mães de duas ou mais crianças, o fato de uma mesma situação ser relatada de forma incrivelmente diferente por cada um dos envolvidos é tão corriqueiro que

Michele Müller

27 fevereiro 2017

Sobre a felicidade como objetivo

Não nos contentamos com o necessário, perdemos noção do suficiente. Aprendemos que podemos ser quem quisermos, que tudo é possível, que todos limites podem ser expandidos. Mas é

Powered by tnbstudio