Sobre a beleza das palavras

Por Michele Müller

“A cada dia sou surpreendido por alguma palavra”, confessou Oliver Sacks ao seu companheiro Bill Hayes, autor de The Insomniac City: New York, Oliver and Me – um livro de memórias repleto de pensamentos formulados em conversas entre os dois. Esse deslumbramento pelas palavras se reflete na forma surpreendente e criativa como a mais despretenciosa reflexão é elaborada, revelando singularidades da mente fascinante do neurocientista e escritor.

Oliver Sacks em café e caneta, por Marco Jacobsen

Não é preciso dissecar uma palavra até chegar às suas raizes etimológicas ou históricas para se encantar com o potencial impacto que ela carrega. No caso de Sacks, uma de suas palavras preferidas está presente no discurso de qualquer criança e esconde, em sua simplicidade e frequência, o poder de revelar a complexidade de uma ideia e a virtude da flexibilidade do pensamento.

 

“O Oliver com frequência dizia que “mas” era sua palavra preferida, uma espécie etimológica de virada da moeda, uma vez que ela permite consideração de ambos lados de um argumento, de um tópico, bem como um tipo de olhar-pelo-lado-bom, que era parte de sua natureza, assim como era seu jeito indeciso e hesitante”. Bill Hayes

 

Leia também:

Escreve-se não para explicar, mas para entender

A fragilidade das certezas

Beleza a gente aprende a enxergar

Michele Müller

7 dezembro 2017

Emoções não devem ser renegadas ou condenadas, mas aceitas como transitórias

A divisão definida entre certo e errado, sofrimento e alegria, confiança e insegurança nos coloca em contradição e em um estado permanente de julgamento. As definições rígidas geram

Michele Müller

21 maio 2018

Questões complexas apresentam muitas verdades, às vezes contraditórias

“Parece haver uma espécie de acordo entre os cientistas. Enquanto usarem meios e métodos estatísticos, suas informações são consideradas científicas”, observa o filósofo e psicanalista alemão Erich Fromm

Powered by tnbstudio