Flexibilidade corporativa: diferencial indispensável para o sucesso em um mercado em constante transformações

Por Michele Müller

Não se intimidar diante de mudanças e estar disposto a percorrer diferentes áreas, adquirir novas habilidades e abraçar as novidades tecnológicas são diferenciais necessários a quem busca destaque no mercado de trabalho. E não somente as empresas buscam pessoas flexíveis para trabalhar. O inverso também ocorre: a flexibilidade corporativa é um dos atributos mais valorizados pelos profissionais na hora de se candidatar a uma vaga. De maneira muito semelhante aos processos mentais, ela envolve adaptação às circunstâncias, disposição à aprendizagem constante e capacidade de incorporar novidades sem resistência – mesmo que isso signifique rever conceitos e assumir riscos. 

Little Jack Tar, autor desconhecido, 1865

Uma pesquisa realizada por uma empresa de gestão americana (Qualtrics), envolvendo jovens em busca de oportunidades, constatou que três dentre os cinco fatores que mais consideram atraentes em uma empresa envolvem flexibilidade: equilíbrio entre vida pessoal e profissional, horários e processos de trabalho flexíveis. Esse diferencial é considerado tão relevante que 37% dos entrevistados mostraram-se dispostos a um corte de até 12% no salário em troca de relações de trabalho mais flexíveis e 19% aceitariam uma redução ainda maior.

Em uma pesquisa com três mil jovens, realizada por uma empresa americana de recrutamento (FlexJob), um terço das pessoas afirmaram ter largado o emprego anterior justamente por conta da inflexibilidade da empresa e outros 24% afirmaram estarem em busca de oportunidades mais flexíveis.

A  pesquisa também revelou que a geração que está entrando agora no mercado de trabalho gosta de variar o ambiente ao invés de se acomodar em um escritório o dia todo. De acordo com 60% dos participantes isso os torna mais produtivos.

Há uma explicação para isso? Menos tempo de deslocamento, talvez? Ou, quem sabe, menos conversas entre colegas, menos reuniões infrutíferas… Esses são, de fato, alguns dos inimigos da produtividade encontrados em escritórios tradicionais. Eles mesmos podem não saber explicar, mas uma das razões para esse ganho de eficiência é o fato de que novidades deixam o cérebro mais alerta – o que promove uma melhoria na atenção.

Por isso muitas pessoas que trabalham com atividades criativas ou que exigem bastante concentração buscam se afastar da sala fechada e já muito familiar para alcançar um estado mais favorável à produção, com estímulos diferentes e um ruído ambiente que seja apenas o suficiente para mantê-los atentos, sem causar incômodo. Mesmo sem ter consciência dos motivos, elas percebem que o local pode ter uma grande influência sobre o quê e o quanto produzem. Muitas empresas já perceberam isso e adaptaram seus espaços, trocando as salas fechadas por ambientes detalhadamente arquitetados para estimular a geração de ideias.

Outra estratégia que vem se tornando comum é a flexibilização da rotina de trabalho, o que permite que os profissionais cumpram suas tarefas mais dispendiosas nos horários em que são mais produtivos. O mercado vem mostrando que todos ganham com esse diferencial. Ao adotar esse sistema, a empresa Dropbox, de armazenamento de arquivos, registrou aumento de 10% na produtividade. O resultado foi semelhante ao obtido pela chinesa Ctrip, do ramo de viagens: depois de nove meses de experiência, os profissionais que ganharam liberdade para trabalhar remotamente mostraram-se 10% mais produtivos. A Dell, gigante no ramo da informática, também flexibilizou a agenda dos funcionários depois de uma pesquisa interna em que 90% dos participantes afirmaram que o trabalho rende mais quando ganham autonomia para administrar seus horários.

Empresas flexíveis reconhecem a necessidade de repensar sua identidade, o que pode significar mudanças profundas e passagens pelo incerto. Há vários exemplos comprovando que produtos de sucesso cumprem um ciclo que em nosso mundo acelerado está ficando cada vez curto. Por isso, repetir-se continuamente pode ser mais arriscado que mudar.

A Polaroid, por exemplo, acostumou-se à fama que seu produto inovador lhe garantiu por algumas décadas e resistiu às mudanças do mercado da fotografia trazidas pelo mundo digital. Insistiu em uma fórmula que fez história, mas que foi ultrapassada. A IBM não adaptou seus computadores de mesa à crescente demanda por produtos portáteis e acabou vendo seu período de glória ficar para trás.

Já a Lego, em um momento de crise, recorreu à mudança profunda para sobreviver. E tornou-se gigante ao escolher a direção para onde os fãs da marca apontavam. A guinada começou em 2004, quando novos designers foram contratados para inventar produtos mais lucrativos e modernos.

Diante de um mundo em constante transformação, “a rigidez é a morte”, como diria Virginia Woolf. Empresas flexíveis são formadas por mentes flexíveis e conscientes de que fazem parte de um organismo em movimento, em que a regra é a impermanência.

Fontes:
https://www.cnbc.com/
qualtrics.com
www.flexjobs.com
www.fascompany.com

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