O autocontrole na infância afasta problemas no futuro

Por Michele Müller

27 de Fevereiro de 2017

Exercitar o autocontrole das crianças é a principal maneira de mantê-las longe de problemas no futuro. A falta controle da impulsividade na infância está mais relacionada a situações de risco entre adultos que fatores como histórico familiar, coeficiente de inteligência (QI) e situação socioeconômica.

Essa constatação foi comprovada em um estudo realizado ao longo de 32 anos por pesquisadores da Nova Zelândia. Segundo o estudo, que avaliou cerca de mil indivíduos, aqueles que na infância apresentavam mais paciência e controle sobre suas ações era muito menos propensos a se envolver em crimes e sofrer com abuso de substâncias, obesidade, e problemas crônicos de saúde.

Muito mais que momentos de descontração e gasto de energia, o e
sporte e os jogos lúdicos são as principais formas de exercitar a disciplina e a capacidade de evitar atos impulsivos. O autocontrole e a disciplina são parte do que chamamos e funções executivas, que incluem habilidades como o domínio sobre atenção, flexibilidade cognitiva e memória de trabalho.

Para comprovar a relação do esporte com o desenvolvimento das funções executivas, pesquisadores da Universidade da Georgia, nos Estados Unidos, testaram 171 crianças sedentárias antes e depois de um programa de 13 semanas de exercício físico. Foi confirmado um aumento de atividade no córtex frontal bilateral, associado a essas habilidades superiores, e uma melhora nos testes de inteligência, especialmente de raciocínio lógico.

Diversas pesquisas já haviam demonstrado o papel do esporte no desempenho cognitivo de adultos e crianças. Uma das explicações é o maior do fluxo sanguíneo no córtex cerebral, favorecendo o aumento de sinapses e também o nascimento de novas células nervosas. A neurogênese – como chamamos o surgimento de novos neurônios – ocorre especificamente no hipocampo, região responsável pela memória.

Níveis excessivos e prolongados de stress afetam essa estrutura, que geralmente se apresenta alterada em pessoas com depressão. Assim, além dos ganhos cognitivos e físicos, as atividades esportivas reduzem a chance de crianças e adultos sofrerem as consequências do stress, como ansiedade e depressão.

O esporte, assim como a dança e os jogos, existem há milênios, em todas as culturas, por um bom motivo: cumprem uma importante função no desenvolvimento de diferentes habilidades que são interrelacionadas e que suportam a formação intelectual e, assim, garantem a formação de adultos saudáveis e felizes.

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