Estratégias da comunicação social podem tornar a educação mais eficaz

Por Michele Müller

O ensino não acontece sem uma comunicação eficaz. Pais e professores são, acima de tudo, comunicadores. E todo o bom comunicador é necessariamente criativo: sempre vai procurar fugir do óbvio em seu discurso.

Cover of The Newsboys’ Greeting, Saturday Globe, Utica, N.Y. (1912)

Afinal, sua intenção é, acima de tudo, manter a atenção do ouvinte e, para isso, sabe que deve surpreendê-lo constantemente; deve fazer com que ele se identifique emocionalmente com o conteúdo e que interaja com as informações, criando novas relações.

Se um meio de comunicação não consegue manter a atenção do público, nem consegue informá-lo de forma clara, certamente vai buscar novas maneiras de narrar os fatos – pois culpar o leitor ou espectador e insistir no formato que não foi aceito não irá evitar o fracasso do veículo. A educação não deveria funcionar diferente. Nem em casa, nem na escola.

Como tudo o que depende de criatividade, manter crianças atentas e motivadas é uma habilidade multifacetada, sem fórmula única a ser seguida. Mas muitas das estratégias usadas pelos meios de comunicação podem nos servir como inspiração: adequar o vocabulário ao nível de conhecimento do leitor ou ouvinte; usar infográficos, imagens, ilustrações; retomar do assunto desde o começo para situar o público no tempo, espaço e contexto; ouvir os dois lados; permitir questionamentos, discussões, diálogos; buscar, na vida e na literatura, personagens e histórias que ilustrem o assunto; promover polêmicas e questionamentos.

Pensamento crítico e criatividade não costumam ser produtos da leitura restrita a livros didáticos e apostilas. Muito mais provável que se desenvolvam nos momentos em que os livros são fechados e as longas explicações – destinadas a serem esquecidas – trocadas por atividades que envolvem o engajamento das crianças.

Quando nos comprometemos em estabelecer uma comunicação eficaz com as crianças, a imaturidade que impede muitos de sentarem quietos para ouvir passivamente deixa de ser considerada um problema e transforma-se em um desafio saudável à nossa criatividade.

 

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