O que podemos aprender com aqueles que superaram dificuldades cognitivas

Por Michele Müller

27 de setembro de 2017

Se fôssemos ensinados, ainda crianças, a analisar nossos próprios processos cognitivos – ou seja, a forma como aprendemos novas informações e habilidades –, nossa relação com os estudos seria muito diferente e mais produtiva.

Mas não aprendemos a aprender: na escola, nos ensinaram a repetir padrões e memorizar informações desconexas, que nem sempre faziam sentido para nós.
Hoje, as crianças têm uma quantidade ainda ma

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Paul Avril – le miroir du monde

ior de informações para processar, dentro e fora do ambiente escolar. Por isso, muitas têm dificuldade em prestar atenção e todas – mesmo as mais atentas e com bom desempenho – acabam esquecendo a maior parte do conteúdo estudado logo após as provas.

Informações que não provocam um envolvimento emocional e que não são utilizadas na vida prática de forma constante são inevitavelmente apagadas do cérebro, que precisa do espaço para funções importantes. Portanto, grande parte do tempo que dedicamos aos estudos é desperdiçado.

Aqueles que aprendem sem dificuldades, normalmente não questionam a forma como são ensinados e, por isso, não procuram formas mais eficazes de estudar. Mas os que não se adaptam ao sistema, esses muitas vezes se revoltam. E geralmente são eles que buscam e exigem formas melhores de ensinar e de aprender.

As pessoas que sofreram no período escolar se vêem obrigadas a refletir sobre a aquilo que facilita e aquilo que lhes dificulta a aprendizagem. Assim, acabam desenvolvendo uma autoconsciência que pode colocá-las em vantagem em diferentes áreas do conhecimento. São elas que nos oferecem a possibilidade de aplicarmos métodos mais eficazes de ensino, baseados na observação de como nosso cérebro assimila e memoriza novas informações.

Com a intenção de superar as próprias dificuldades e traumas do tempo da escola, muitos desenvolveram técnicas que lhes garantiram maestria justamente nas áreas em que eram fracos. Por isso, melhores estratégias de estudo são geralmente repassadas por pessoas que precisaram administrar o sentimento de fracasso que marcou a infância.

Aqueles que percorreram as extremidades do conhecimento contribuem para as investigações da neurociência, que hoje atesta e justifica alguns dos métodos que utilizam e que investiguei para criar o curso de aprendizagem otimizada.

Aprender a aprender envolve habilidades que não serão esquecidas e servirão para toda a vida: a curiosidade, a criatividade, o pensamento crítico, o raciocínio e a capacidade de adquirir qualquer conhecimento sem se intimidar diante do material, com confiança e entusiasmo.

“Em qualquer habilidade, procure por extremos e anomalidades, descubra como fazem aqueles que são surpreendentemente bons em algo, pois eles estão usando técnica e não os genes. E técnica se aprende.”

Ensinamento de Tim Ferris, que sofreu para aprender na escola e hoje um dos empresários mais bem-sucedidos do mundo.

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