Sobre a melancolia dos finais de domingo

Por Michele Müller

10 de Abril de 2017

Sobre o medo de não conseguir dar conta das próprias responsabilidades, de não acompanhar as mudanças do mundo, de não ser capaz de corresponder às exigências da vida, Alain de Botton consola: precisamos lembrar que essas inseguranças são absolutamente comuns e compreensíveis, pois são produtos de uma sociedade que evoluiu na direção da liberdade individual. Foi num momento recente de nossa história que deixamos de ter uma identidade quase inseparável à da comunidade ou da tribo de onde surgimos.

“Nossas próprias conquistas eram apenas uma parte – talvez a menor parte – de outras fontes de identidade e autoconsciência. Agora temos que nos reinventar, o que é maravilhoso e libertador, mas para muitos de nós pode ser também um grande fardo, pode nos esmagar. Chega a ser crueldade dizer para alguém: ‘você não pode contar com suas origens’, ‘você não pode ser definido pelo seu grupo ou familiares’ ou ‘ter orgulho do grupo não é suficiente, é preciso ter orgulho de suas próprias conquistas a partir do momento em que concluiu seus estudos’. A consciência de que todos estamos sob pressão não faz com que ela desapareça magicamente, mas permite entendermos a razão por que às vezes ficamos deprimidos nos finais de tarde de domingo, com a sensação de termos nossos sonhos em uma mão e a realidade na outra – e a distância entre as duas pode parecer muito grande e gerar desespero”.

Robinson Frederic Cayley

Ele avalia que a angústia diminui nos momentos em que sabemos ao certo o que estamos buscando – o que pode ser um grande desafio num mundo em que todas as possibilidades estão ao nosso alcance.

“É quando nosso próprio caminho nos parece mais ambíguo que as vozes dos outros, o caos perturbador em que vivemos, os movimentos das mídias sociais, começam a agigantar-se e a parecer ameaçadores”.

De Botton lembra que os modelos sugeridos pelo mundo externo, ao buscarmos um propósito na vida, podem não nos servir. Por isso, é importante nos aquietarmos para que possamos perceber que nossa responsabilidade é com relação às próprias expectativas – e não às que o mundo nos impõe. Lembrar da nossa mortalidade também pode reduzir a ansiedade gerada por vários tipos de pressão e revelar a verdadeira importância das conquistas e preocupações.

Alain de Botton em entrevista a Tim Ferriss

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