Sobre a felicidade como objetivo

Por Michele Müller

27 de fevereiro de 2017

Não nos contentamos com o necessário, perdemos noção do suficiente. Aprendemos que podemos ser quem quisermos, que tudo é possível, que todos limites podem ser expandidos. Mas é preciso tomar cuidado para que, nessa expansão, não percamos a felicidade de vista, ao lançá-la sempre para além do nosso alcance.

Para a escritora australiana Elizabeth Farrelly, ter mais e mais daquilo o que queremos – depois de ultrapassado o território da necessidade – não nos faz mais felizes, pois nos coloca em estado de eterna insatisfação. “Porque o desejo não é absoluto, a satisfação não é permanente e felicidade não é prazer”.

Felicidade é um subúrbio elegante onde, em um nível individual, vive-se de forma criativa, construtiva e generosa. Mas tente replicá-la em grande escala, transforme-a em algo sagrado, faça dela o objetivo de vida universal, cace-a como se fosse um animal selvagem e ela rapidamente assume uma forma flácida, inautêntica, pouco atraente e profundamente autossabotadora”.

Elizabeth Farrelly Autora de Blubberland: The Dangers of Happiness 

*tradução minha

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